
|
Volta à universidade Correio Braziliense Brasília, terça-feira, 08 de janeiro de 2002 Alunos da UnB retornaram ontem às aulas. Depois de 139 dias de paralisação, docentes e discentes retomam o semestre passado, interrompido dois dias depois de iniciado. Foi mais uma greve que só teve perdedores. O Ministério da Educação mostrou-se incapaz de dialogar com a elite do país. Os professores tiveram ganho salarial insignificante e enorme desgaste emocional. Os estudantes acumularam prejuízos. Alguns deixaram de colar grau. Outros perderam a bolsa de pesquisa. Todos viram escorrer pelo ralo os dias que deveriam ser dedicados aos estudos. Na universidade, permanecem os problemas que deflagraram este e os demais movimentos paradistas. Faltam recursos financeiros que assegurem a qualificação constante dos docentes, a ampliação de vagas, a renovação de quadros de mestres e doutores, a correção de vencimentos capaz de evitar a evasão de cérebros. Os talentos - indispensáveis no processo de formação da elite nacional - encontram abertas as portas da iniciativa privada, nem sempre preocupada com a excelência do ensino. E quase nunca com a pesquisa, um dos pilares da universidade pública. A pesquisa, caminho para ultrapassar o estágio do subdesenvolvimento, demanda verbas. Pesquisadores, livros, tecnologias, laboratórios, estagiários custam caro. O tempo tem de ser financiado para os especialistas pensarem. Idéias resultam de investimentos. É com elas que se avança no saber. Sem progresso no desenvolvimento científico e tecnológico, o país fica a reboque, condenado a copiar a produção alheia, desinteressada da nossa realidade. As universidades públicas têm provado que formam os melhores profissionais brasileiros. O produto dessas instituições não pode ser medido pela quantidade de formandos. Mas pela qualidade do saber que produzem. As greves têm-se mostrado recurso desgastante e ineficiente. Repetidas ano após ano, não têm conseguido resolver os problemas, que só se agravam. Um desafio, portanto, se propõe: encontrar novos caminhos que levem ao entendimento. O processo de mobilização para atender as demandas de aperfeiçoamento das instituições tem de ser reinventado. Com vontade, encontram-se os meios. Prova-o a revolução do ensino fundamental. No governo Fernando Henrique, 97% das crianças entre 7 e 14 anos freqüentam as salas de aula. Os carentes recebem bolsa. A evasão diminuiu e as reprovações caíram. É hora de investir na outra ponta. A universidade tem papel importante no processo. É ela que formará os profissionais necessários ao salto de qualidade que completará a obra de universalização do ensino. © Copyright CorreioWeb Fale com a gente Publicidade |