Desigualdade continua igual

Correio Braziliense

Brasília, quarta-feira,

30 de janeiro de 2002

Desigualdade continua igual

Da Redação

Com agências

O Brasil melhorou seu desempenho em vários indicadores sociais na década de 90, mas a desigualdade entre negros e brancos continua a mesma do início do século XX. Dos 53 milhões de pobres brasileiros, 22 milhões são miseráveis. Entre os pobres, 63% são negros e, entre os miseráveis, 70%. Os dados foram divulgados ontem pelo coordenador nacional da pesquisa de discriminação racial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Henriques, durante uma reunião no Ministério da Justiça.

Para Henriques, o Brasil é um país rico com muitos pobres. ''Do total da população brasileira, 54% são brancos e 45%, negros, 10% são ricos e ganham até 30 vezes mais que os pobres, que correspondem a 40% da população'', destacou. De acordo com o professor, a única maneira de combater a pobreza é enfrentar o problema da desigualdade social. ''A miséria esconde a desigualdade, temos que acabar com isso e a educação é o principal meio.''

Na educação, por exemplo, a média da freqüência escolar de uma pessoa branca é de 8,4 anos; de um negro é de 6,1 anos. Essa diferença de 2,3 anos é a mesma do início do século, segundo Ricardo Henriques. ''Vai levar 20 anos para o negro igualar esse período. Isso se começar a ser feito algo imediatamente'', disse. Na Europa, a média de freqüência escolar de brancos é de 12 anos, enquanto na África do Sul a média de freqüência de negros é de 11 anos.

Henriques disse que 50% das crianças negras com idade até dez anos são pobres. ''Esses números são ainda mais absurdos. Para cada grupo de 100 meninos brancos e pobres, com idades entre zero e seis anos, existe um grupo de 170 meninos negros e pobres com a mesma idade'', revelou. Para as crianças com idades entre sete e 14 anos, para cada branco pobre existem dois negros pobres.

Direitos humanos

Para melhorar a observação dos direitos humanos nas prisões, o Brasil terá recursos da Organização das Nações Unidas (ONU) para treinar funcionários de penitenciárias, promotores e juízes. ''A idéia é que ocorra uma melhoria nos serviços e o aperfeiçoamento da cultura nessa área'', disse Tadeu Valadares, diretor do Departamento de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores.

Esse é o principal tema a ser tratado pela Alta Comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, Mary Robinson, que chega nesta quarta-feira ao Brasil. Ela vai anunciar a abertura de um escritório do Alto Comissariado no país, a partir do qual serão negociados esse e outros projetos de promoção dos direitos humanos.

Robinson reúne-se hoje com o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, e almoça amanhã com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela tem encontros agendados com o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, e do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann.

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