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Os combatentes infantis Correio Braziliense Brasília, quinta-feira, 14 de fevereiro de 2002 Opinião Visão do Correio Os combatentes infantis Acordo internacional há tempos celebrado sob patrocínio da Organização das Nações Unidas (ONU) convoca os países-membros a impedirem a mobilização de crianças como efetivos militares. São nada menos de quinhentos mil hoje no mundo os menores integrantes de exércitos, contingentes paramilitares e grupos rebeldes. Calcula a ONU que mais de trezentos mil ocupam as linhas de frente nas batalhas levadas a cabo em 35 nações. Figuram como as primeiras vítimas. Cumpre, assim, a instituição dever relevante de vigilância ao insistir com os governos sobre a necessidade de ratificar o pacto. A exortação coroou terça-feira a conferência das Nações Unidas convocada para debater o problema em Genebra (Suíça) com a participação de organizações não-governamentais. E seguiu com abertura de campanha em busca da compreensão e da adesão dos países ao esforço para pôr fim à brutalidade. A África é o alvo maior das preocupações. Em nenhuma outra região abusa-se da militarização infantil com tamanha perversidade. Na América Latina, também, a exploração de infantes em conflitos armados tem dimensão trágica. Basta exemplificar com o que sucede na Colômbia. Ali, dos dez mil meninos e meninas em ação militar, 40% compõem as Forças Armadas Revolucionárias (Farcs). Os restantes são empregados pelos grupos paramilitares e milícias urbanas. Não há estatísticas disponíveis sobre a extensão do problema entre os grupos organizados do crime. É notório, contudo, que o tráfico de drogas usa crianças como patrulhas avançadas para detectar a presença de eventual repressão da polícia. Participam de tiroteios e operações de extermínio contra grupos rivais. São soldados da delinqüência. Mas não operam apenas no centros mais intensivos da produção latino-americana de cocaína e outros alcalóides, como Cali e Medellín. Atuam, também, nas favelas do Rio de Janeiro dominadas por narcotraficantes e quadrilhas especializadas no contrabando de armas. Quando não morrem nos conflitos, muitos sucumbem na violência provocada pela exclusão social. Ou em trabalhos penosos e insalubres, só suportados por adultos. A iniciativa da ONU de organizar a resistência contra semelhante forma de infanticídio, sob a garantia de convenção internacional, até agora só mereceu a adesão de 14 países. Nem mesmo o Brasil, onde programas de proteção à infância alcançam alguns resultados, deu-se ao trabalho de prestigiá-la com o sinete de sua aprovação. É tempo, pois, de rever a omissão e dar à comunidade mundial o testemunho de seu interesse em retirar as crianças dos campos de batalha - os da guerra e os dos criminosos. © Copyright CorreioWeb Fale com a gente Publicidade |