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Maconha, não! Correio Braziliense Brasília, quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002 Maconha, não! ONU condena a liberalização do comércio e do consumo da cannabis sativa Da AFP Viena - O órgão das Nações Unidas encarregado do controle das drogas estimou ontem que uma liberalização da produção e venda de maconha, que vários países ocidentais estão estudando, seria um ''erro histórico''. Ao suavizar a legislação relativa à produção e ao consumo de maconha, certos países europeus ''minam os convênios e os textos internacionais'', estimou a Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes (Jife) em um relatório divulgado em Viena. A Jife criticou particularmente a Itália, Luxemburgo, Portugal e Espanha por terem descriminalizado o cultivo e a posse de maconha para uso individual. Também acusou Holanda e Suíça de não cumprirem os convênios da ONU ao permitir respectivamente a venda de maconha nos coffee-shops e ao querer legalizar parcialmente sua posse. A tendência, que consiste em ser mais tolerante com a maconha do que com outras substâncias, ''mina a lei internacional'', afirmou o presidente da Jife, Hamid Ghodse. ''Enquanto alguns países se esforçam para eliminar a maconha e combater seu tráfico ilícito, certos países desenvolvidos decidiram aceitar seu cultivo e sua venda em seu território'', lamentou. ''Desse modo, como podemos exigir do Marrocos que impeça que sua maconha chegue à Europa se se tolera a procura, se descriminaliza e inclusive se legaliza de fato?'', indagou o secretário-geral da Jife, Herbert Schaepe. ''Todos os esforços empreendidos para combater o tráfico de droga serão vãos se não se conta com o compromisso de todos para aplicar os tratados internacionais'', frisou o relatório da Jife. Para modificar os convênios aplicáveis, os países que os firmaram devem apontar à Organização Mundial da Saúde (OMS) as provas de que se pode riscar a maconha da lista de drogas controladas, explicaram os dirigentes da Jife. ''A comunidade internacional gasta muito dinheiro em seu sistema de saúde para prevenir e curar o alcoolismo e o tabagismo'', disse Ghodse. A Jife opina que ''não deve se gastar ainda mais dinheiro para curar também os males causados pela maconha, a droga mais difundida e mais consumida no mundo'', concluiu Ghodse. Cocaína O relatório advertiu também para o fato de que a cocaína colombiana exportada para Europa é trocada por ecstasy, que por sua vez é reimportado pelo continente americano, numa evolução do tráfico mundial de drogas. ''Parece que os traficantes colombianos exportam cocaína para a Europa, onde é trocada por MDMA (ecstasy) que alimenta os mercados da América do Norte e do Sul'', indicou a Jife. ''Na América do Norte, grupos marginais brigam pelo controle do mercado do ecstasy, em plena expansão'', prossegue o relatório. ''O MDMA provém principalmente da Europa mas começa também a ser fabricado localmente'', segundo a Junta. A Jife precisa que, em 2000-2001, mais de 50 toneladas de cocaína foram apreendidas em 30 países da América Central e América do Sul, constituindo uma significativa apreensão da droga no mundo. ''Cerca da metade da cocaína importada ilegalmente nos Estados Unidos anualmente, 375 toneladas, provém da América Central e América do Sul através do corredor mexicano'', precisou a Jife. Em meados de fevereiro, foram apreendidas dez toneladas de cocaína - valor aproximado de 330 milhões de euros - na costa colombiana do Pacífico em um cargueiro que ia para os Estados Unidos. Washington considera a Colômbia como o primeiro país produtor mundial de cocaína, com 580 toneladas anuais, e um dos principais provedores de heroína, com uma produção anual de sete toneladas, segundo cifras da DEA, Agência Antidroga Americana. A Jife indica que o consumo de drogas avança nos países sul-americanos, onde a cocaína transita a caminho dos Estados Unidos. Os países por onde viaja a droga registram uma ''progressão da toxicomania. Os intermediários são pagos em espécie, a droga está disponível com maior facilidade, acarretando aumento da violência vinculada ao tráfico'', explica a Jife. Nos Estados Unidos e Canadá, as primeiras experiências com heroína e ecstasy são feitas por pessoas cada vez mais jovens e o ecstasy ultrapassou o marco da ''cultura rave'' para ser consumido por jovens de apenas 12 anos. Já o ''consumo do crack - derivado econômico da cocaína - retrocede nos Estados Unidos devido ao envelhecimento dos consumidores'', concluiu a Jife. © Copyright CorreioWeb Fale com a gente Publicidade. |