CURRICULUM VITAE

THERESA CATHARINA de GÓES CAMPOS

Data e local de nascimento: 13 de janeiro de 1945— Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.
Nacionalidade: brasileira.
Não-fumante
Religião: Católica Apostólica Romana (Praticante)
FILHOS: Amerjit e Priscila

REGISTROS PROFISSIONAIS:

   Jornalista Profissional (Redatora) — Registro Profissional MTb 06 (livro 1, folha 3, verso, ano 1967), atualizado para DF03234JP na última renovação; e

   Professora Universitária (Comunicação).

 EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL e ACADÊMICA:

Jornalista free lance — desde 1960; professora universitária desde 1966.

FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA:

   Graduação em Jornalismo (Comunicação Social) — Bacharelado em Jornalismo, pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (hoje, Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro) — 1965.

 PÓS - GRADUAÇÃO:

   Lato Sensu — Especialização em Metodologia do Ensino Superior (Didática Superior) — Faculdades Integradas da Católica de Brasília — 1985.

   Curso de Mestrado em Relações Internacionais — créditos completados e projeto de tese aprovado, mas sem defesa de tese - Departamento de Ciência Política e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Brasília — 1988.

LIVROS PUBLICADOS:

    O Progresso das Comunicações Diminui a Solidão Humana? Uma interpretação histórica das comunicações gráficas e audiovisuais, desde a pré-história até o Intelsat’ — Rio de Janeiro, Editora Lidador, 1970,139 páginas.

    ‘A TV nos tornou mais humanos? Princípios da Comunicação pela TV — com Prefácio de Ariano Suassuna — Recife, Editora da Universidade Federal de Pernambuco, 1970, 362 páginas.

    (Tradução da versão francesa) ‘Sons e Sinais na Linguagem Universal: Semiótica. Cibernética, Linguística, Lógica” de A. Kondratov— Brasília, Editora Coordenada, 1972,189 páginas.

DOCÊNCIA UNIVERSITÁRIA

   na Faculdade de Filosofia do Recife (FAFIRE), a disciplina Os Meios de Comunicação Social na Educação, nos anos 1968 e 1969.

   no Centro de Comunicação Social do Nordeste (CECOSNE), em Recife, as disciplinas Produção para Rádio e TV e Produção Cinematográfica, nos anos de 1968, 1969 e 1970.

   no Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), no Departamento de Letras, a disciplina Inglês, nos anos de 1966 e 1967; e no Departamento de Comunicação, a disciplina Publicidade e Propaganda, em 1971.

   na Faculdade de Artes (Fac. Dulcina), da Fundação Brasileira de Teatro (FBT), em Brasília, de 1983 a 1986, as seguintes disciplinas, no Departamento de Artes Cênicas: Literatura Dramática; História do Teatro: Teatro Brasileiro; Evolução do Teatro e da Dança; História e Estética da Arte; Produção para a TV; Produção cinematográfica; Francês; e Fonética.

   na Faculdade de Ciências Sociais, das Faculdades Integradas da Católica de Brasília, de 1987 a 1990, a disciplina Língua Portuguesa.

   na Faculdade Alvorada de Brasília, de 1990 a 1994, a disciplina Inglês Técnico para Informática.

   na Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (A.E.U.D.F), em Brasília, no Departamento de Formação, as disciplinas Problemas Brasileiros (de 1991 a 1993) e Língua Portuguesa (de 1991 a 1998, como Professora Titular).

DOCÊNCIA EM CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU:

A disciplina Teorias da Comunicação. em cursos de especialização ministrados pelas seguintes instituições educacionais — Fundação Brasileira de Teatro em convênio com a Fundação Educacional de Brasília (em 1984); no Centro de Ensino Unificado de Brasília — CEUB —(CESAPE, em 1985); e nas Faculdades Integradas da Católica de Brasília (1986).
 

EXPERIÊNCIA DE CHEFIA:

   Chefe do Serviço de Educação da Fundação Brasil — Central, em Brasília, nos anos de 1966 e 1967.

   Diretora da Rádio Universitária, da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, nos anos de 1970 e 1971.

   Chefe do Departamento de Artes Cênicas da Faculdade de Artes da FBT, em Brasília, nos anos de 1984 e 1985.

   Gerente de Grupo de Estudos, no Ministério da Educação e Cultura, em Brasília, nos anos 1970 e 1971 (nomeação por Portaria Ministerial).

ASSESSORIA TÉCNICA:

   Assessoria Técnica de Comunicação para a Fundação Brasil Central, em Brasília, nos anos de 1966 e 1967.

   Assessoria Técnica como Tradutora e Intérprete para o Ministério da Aeronáutica, em Brasília, de 1983 a 1990 (nomeação por Portaria Ministerial e realização de trabalhos como free lance).

   Assessoria Técnica de Comunicação para empresas diversas (como a FACEB, entidade de previdência privada para os empregados da CEB, Companhia Energética de Brasília, nos anos de 1993 e 1994).

PRODUÇÃO e APRESENTAÇÃO de PROGRAMAS RADIOFÔNICOS e TELEVISIVOS:

   na Rádio Alvorada de Brasília, em 1966 e 1967, em parceria com o radialista Raimundo Laranjeiras, o programa diário Clube das Donas de Casa.

   na TV Nacional, Canal 2, de Brasília, três (03) programas semanais: “Encontro”: “O Museu e a Cidade” e “Educar é Crescer”, nos anos de 1966 e 1967.

   na Rádio Universitária, da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife, séries de programas culturais sobre a língua portuguesa, o folclore, personalidades nacionais e estrangeiras, de 1968 a 1972.

   na Rádio Tamandaré, em Recife, o programa diário “Alô, Motorista”, de 1966 a 1970.

   na TV Rádio Clube de Pernambuco, em Recife, membro da equipe de três redatores do Telejornal Pirelli, de apresentação diária, às 20 horas, de 1966 a 1970.

   na Rádio /TV Canada, em Ottawa, Ontario, Canadá, como free lance, de 1971 a 1982.

TÍTULO/PRÊMIO ESPECIAL:

    “O Melhor da Comunicação em 1970” — honraria concedida pela Associação dos Bacharéis em Jornalismo de Pernambuco, em 1971.

ARTIGOS PUBLICADOS:

   desde 1960, artigos publicados (entrevistas, crônicas, reportagens, editoriais e poesias) em português e inglês, em diversas cidades brasileiras e no Canadá, sobre temas culturais diversificados.

MONOGRAFIA:

    Os Meios de Comunicação Social como Instrumentos de uma Educação para a Paz — Brasília,1986.

MEMBRO DE ASSOCIAÇÕES/ENTIDADES:

Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal; Sindicato dos Escritores do Distrito Federal; Associação Ópera-Brasília - AOB; Sociedade dos Amigos do Cine Brasília; Cineclube dos Educadores; Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-DF); Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (SINDILEGIS); AIDF - Associação da Imprensa do Distrito Federal.

TRADUTORA E INTÉRPRETE DO SENADO FEDERAL:

   aprovada em Concurso Público nacional, externo, empossada em 25 de novembro de 1993.
 

ATUALIZAÇÃO:

•   Co-revisora da Revista de Informação Legislativa do Senado Federal (1995)

   Em 1995, eleita para a Diretoria (Triênio 1995/98) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, como membro da Comissão de Ética e Sindicância.

         Jornalista responsável pela Revista da Faculdade AEUDF_(1995-1997).

        Assessora do Diretor da Secretaria de Informação e Documentação do Senado Federal (1999-2000).

       Chefe de Gabinete da Secretaria de Informação e Documentação do Senado Federal (2000-2002).

    •   Jornalista e membro da equipe técnica da revista Senatus, da Secretaria de Informação e Documentação do Senado Federal (2000 - 2001 ).

       Diretora de Imprensa e Divulgação do SINDILEGIS_ triênio 2001-2004.
   Licenciada por motivo de doença grave - câncer (julho/2002)

    •  Aposentada do Senado Federal, por motivo de doença grave (câncer), em 24 de julho de 2002.

      Articulista do portal 180graus.com (2003).

   •   Incluída no Dicionário dos Escritores de Brasília - 2a. edição, 2003 - organizado por Napoleão Valadares.

   •   THERESA CATHARINA escolhida para receber o PRÊMIO NACIONAL DA IMPRENSA BRASILEIRA - MÉRITO DOM JOÃO VI - 2005

VER:
 
www.noticiasculturais.com


Site Pessoal



Blog Theresa Catharina


TEXTOS RELACIONADOS À VIDA E ÀS ATIVIDADES DE THERESA CATHARINA

1 - Diário de Pernambuco – terça-feira, 21 de outubro de 1969.

DIÁRIO FEMININO

MULHER EM POSTO DE DIREÇÃO

Ainda não deixou de ser um tanto raro que elementos femininos ascendam, aqui entre nós, a postos executivos de alta escala.  O mais que se tem conseguido é, na administração pública, ser chefe de seção.  Na Universidade, temos alguns exemplos de diretores de unidades ou departamentos, como a prof. Maria Auxiliadora Cabral de Moura , à frente do Instituto de Psicologia da UCP.

No campo jornalístico, a mini-saia invade as redações e estúdios e, no Rio de Janeiro, temos exemplo de mulheres como chefes de empresas jornalísticas.

A direção da Rádio Universitária foi recentemente confiada a Theresa Catharina de Góes Campos que já escrevia programas para aquela emissora além de trabalhar no departamento de jornalismo de TV Rádio Clube.  Theresa  é especializada em comunicação, tendo inclusive escrito um livro sobre televisão.  Escreve também para crianças, e tem toda uma formação voltada para os fins educativos dos meios de comunicação.

Os colegas da Rádio Universitária que estão atualmente sob as ordens de uma mulher, comentam bem humorados:  “se em Israel está dando certo, por que não haveria de dar na R.U.?”

A atual diretora da estação transmissora da U.F.P. é dona de um entusiasmo incomum por qualquer tarefa à qual se dedique.  É uma pessoa jovem que leva muito a sério o trabalho e as pessoas.  É dessas que acreditam que se deve seguir pela vida, com os pés no chão e o ideal nas estrelas.

Tereza Lúcia Halliday


2 - FACULDADES INTEGRADAS DA CATÓLICA DE BRASÍLIA

Ofício 035/88-FCCS

Brasília-DF, 22 de setembro de 1988.

Cara Professora Theresa Catharina:

Tivemos o privilégio de contar com sua participação, nos dias 20, 21 e 22 /06/88, na PRIMEIRA SEMANA DA ADMINISTRAÇÃO, organizada por alunos desta Faculdade.

O objetivo geral do evento, qual seja propiciar aos alunos uma visão prática das realidades empresariais mais significativas do Distrito Federal, foi amplamente atingido oferecendo rara oportunidade de integração entre nosso meio acadêmico e o empresarial.

Sua presença, como Mestre de Cerimônia, durante o evento, emprestou-nos extraordinária colaboração.

No momento em que transmito meus agradecimentos pessoais, e os da Faculdade Católica de Ciências Sociais, desejo assegurar-lhe que sua atenção será sempre lembrada com especial consideração entre nós.

Atenciosamente,

Luís Antônio B. Emílio

Diretor da Faculdade Católica de C. Sociais

UBEC/FICB

Ilma. Professora

THERESA CATHARINA DE GÓES CAMPOS

Faculdade Católica de Ciências Sociais

Departamento de Fundamentos das Ciências Sociais.

ÁREAS COMPLEMENTARES –TRECHO 2 – LOTE 3975 – SETOR SUL – TELEFONE: 563-5000 – CEP. 72.000 – TAQUATINGA – DISTRITO FEDERAL


3 PREFÁCIO de ARIANO SUASSUNA para o livro "A TV nos tornou mais humanos? Princípios da Comunicação pela TV " de Theresa Catharina de Góes Campos

UM LIVRO SOBRE TELEVISÃO

Conheci Theresa Catharina depois que passei a dirigir o Departamento de Extensão Cultural da U.F. Pe., e, ela, a Rádio Universitária: estas duas repartições funcionam juntas, nas mesmas dependências da Reitoria,sendo que a Rádio já foi uma Divisão do DEC. Hoje,é autônoma, motivo pelo qual não tive o prazer e a honra de trabalhar com Theresa Catharina. Apesar disso,porém, as ligações entre o DEC e a Rádio continuam, porque temos, ainda, muitas áreas de trabalho relacionadas. A Música é uma delas, e várias vezes eu tenho aparecido na Rádio, para importunar a Diretora e seus auxiliares com fitas e gravações do Seminário de Criação e Interpretação Musical Nordestina que o DEC promove.

Nunca eu poderia supor, porém, que aquela moça discreta, cortês e modesta, sempre com um ar de quem teme ser pesada aos outros, fosse uma mestra em Teoria das Comunicações. E, mais do que isso, que aliasse sua capacidade administrativa ao dom de escrever. Sim, porque Theresa Catharina de Góes Campos estréia este ano como escritora. E, fato raro entre os escritores que começam, este seu segundo livro sai quase ,imediatamente depois do primeiro, editado no Rio, com distribuição nacional.

Passei a vista no primeiro , uma espécie de apanhado geral, de visão o quanto possível completa do campo das comunicações. Para ser absolutamente franco,eu me sentiria menos constrangido prefaciando o primeiro, do que escrevendo estas linhas mal-arrumadas sobre o segundo. Entende-se: o primeiro, sendo mais geral, tem muitos assuntos que me deixariam mais seguro - inclusive o Teatro.

Já quanto a este, todo mundo que me conhece sabe da pouca simpatia que tenho pela Televisão. Aliás, expliquei a Theresa Catharina a dificuldade em que me encontrava, por causa disso. Ela, porém, demonstrando grande poder de compreensão, autorizou-me a fazer o prefácio como entendesse. Disse-me, inclusive, que eu desse um depoimento sobre os motivos de minha pouca simpatia, porque isso poderia servir de ponto de partida para reflexões e estudos. Então concordei e passo a expor tudo, do modo que me é possível.

Em primeiro lugar, quero esclarecer que não faço essa declaração por mania de ser diferente ou original.Também não a faço num sentido de desrespeito ou desapreço por aqueles que dedicam à Televisão, com honestidade, o melhor de suas vidas e de seu trabalho. O problema é muito mais complexo. Minha antipatia vem de outras causas. A primeira , talvez seja a sensação de impaciência e frustração que experimento vendo mal usado e desperdiçado aquilo que tem tanta força, tanto poder de persuadir e influenciar para a Cultura verdadeira. Depois, vem do ar de empáfia com que os figurões, os "grandes mentirosos" da Televisão, se arvoram em árbitros do gosto, atribuindo ao Povo (que está sendo deformado, por eles, aos poucos) suas próprias opiniões, suas próprias deformações.

Tenho um amigo que, a esse respeito, vive se rebelando contra a célebre frase -feita de que "macaco é doido por banana". Ele retruca, indignado: "Como é que podem saber disso, se só dão banana ao macaco? O macaco está faminto, dão-lhe uma banana, ele a come com avidez e as pessoas dizem: "Como ele gosta de banana!". Macaco, como todo mundo, gosta é de comida". E meu amigo conclui. "Dêem um rosbife ao macaco, que nunca mais ele come banana satisfeito."

Coisa semelhante fazem os figurões da Televisão com o Povo. A necessidade de consumo de Arte é evidente em qualquer ser humano.A televisão só oferece a o Povo as guitarras inglesas ou as bananas e abacaxis tropicalistas, tomando todo o cuidado para evitar que o Povo tome contacto com os verdadeiros artistas brasileiros. Aliás, a crise é mais ampla e atinge até todo o campo da Arte erudita. Já que estamos falando de Música, há toda uma propaganda, todo um espírito dirigido no sentido de fazer a Música brasileira adotar os processos, os cacoetes e os becos-sem-saída da Música européia e norte - americana. Mas não vou tão longe. Fiquemos no campo da Música popular, pra facilitar a discussão.Como é que se explica o boicote sistemático que a Televisão brasileira executou com Ataulfo Alves? Nunca Ataulfo Alves teve um programa só para ele, nunca teve uma propaganda sistemática e contínua.

Por quê? Porque ele "não fazia parte do jogo, da farsa gigantesca "da coligação dos prestígios". Depois que ele morreu, prestaram-lhe "comovidas homenagens" e, com um suspiro de alívio, sentiram-se mais seguros e confiantes, porque a Onça Preta tinha morrido e não arrasaria mais nenhum ídolo de pés de barro (...). Sim, porque o perigo que os verdadeiros artistas oferecem é esse. Os figurões organizam a farsa,os prestígios dos valores importados, arranjam um patrocinador poderoso que também faça parte do jogo e então começam a impor a falsificação ao Povo. Aquilo surte efeito durante algum tempo, porque o Povo quer ouvir música, e como só aparece aquela, consome aquela mesma. Mas, um dia, quando os promotores da farsa menos esperam, lá um artista verdadeiro rompe uma barreira, e os ídolos desmoronam. Os promotores correm, para esconder o fato e reparar os estragos, mas é tarde: e lá se vão,num só momento, cinco anos de esforços para derrubar a verdadeira Cultura brasileira.

Foi o que aconteceu com Ataulfo Alves no último Festival em que ele tomou parte. Acusado de "quadrado", de "ultrapassado", de "reacionário", em dois minutos engoliu tudo quanto foi de cabeludo, de guitarra e de tropicalismo que apareceu por lá naquela noite - o que fez com o samba "Quis você pra meu amor, mas você não me entendeu", etc.

"Bem", perguntarão,"e qual é a solução?" Respondo: isso compete às pessoas como Theresa Catharina de Góes Campos. Seu livro será, daqui por diante,uma obra de consulta indispensável, não só para os técnicos como para fixar rumos teóricos àqueles que pretendam fazer da Televisão alguma coisa de sério e honesto. Para isto,são de importância capital pelo menos duas partes: a que ela escreveu sobre "A TV a serviço da Comunicação" e a outra sobre "O Teatro na TV". Theresa Catharina incluiu também um capítulo que trata do patrocinador de TV, explicando como ele atua e influencia - do mesmo modo que ela fez sobre o Diretor de TV e o Produtor.

Porque um país que está procurando se construir, como o Brasil, não pode deixar que sua Cultura seja ameaçada e degradada a cada instante, entre outras coisas pelos produtos falsificados e importados que,por força de instrumentos de comunicação poderosos como a TV, são impostos à força ao gosto do Povo. O Povo protesta desligando os receptores, o que só não se diz porque isso também"está fora do jogo". Mas a própria Theresa Catharina de Góes Campos me chamou a atenção para um fato significativo: nos famosos "inquéritos de audiência e popularidade", a soma das cifras nunca dá 100%. Digamos que sejam dois os canais de Televisão pesquisados. O vitorioso alcança 22% e o derrotado 21%, enquanto a mesma pesquisa aponta 16% para o terceiro canal. Onde estão os 41% restantes? Eram televisores desligados. O grande vitorioso é o "canal mudo e cego", através do qual o Povo protesta contra a farsa.

Fora daí, cumpre-me destacar, no livro de Theresa Catharina, o "Dicionário Trilíngue" dos termos mais comumente usados na Televisão. Creio que é o primeiro que se faz , assim, no Brasil. Ele, e o livro todo, demonstram que o Governo deve intervir a sério nesse campo, no sentido de salvar,resguardar e prestigiar a Cultura brasileira. Nesse momento, as pessoas como Theresa Catharina de Góes Campos e obras como este livro são peças fundamentais, das quais nossa Pátria terá que lançar mão, para não desperdiçar valores e construir, aos poucos e em cada campo, a nossa grandeza.

Recife,23 de maio de 1970

ARIANO SUASSUNA


4 - PALESTRA DISCUTE ÉTICA NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

A professora Theresa Catharina de Góes Campos abriu ontem à tarde o 1° Ciclo de Conferências do Museu do Senado

Em palestra realizada ontem no Senado, a escritora e professora Theresa Catharina de Góes Campos recomendou a permanente cobrança, pela sociedade, de um comportamento ético dos meios de comunicação. Após traçar um histórico sobre ética e política na evolução das comunicações desde a pré-história até o momento atual, ela defendeu o fortalecimento do espírito crítico da população: - A responsabilidade com a informação deve ser um compromisso dos jornalistas – afirmou Theresa Catharina na palestra que abriu o 1° Ciclo de Conferências do Museu do Senado. “Podemos cobrar da mídia a utilização de fontes de qualidade, que não levem à elaboração de notícias forjadas ou pela metade”, sugeriu.

A professora recorreu a textos da Antiguidade Ocidental para demonstrar que a busca de um comportamento ético tem longa tradição. Os animais personagens das fábulas do grego Esopo, citou, já eram porta-vozes de denúncias sociais. E o teatro grego era encarado pelo Estado, naquela época, como meio de educação da população.

Durante a Idade Média, recordou a professora, coube aos monges copistas a tarefa de recuperar os textos da Antiguidade Greco-Romana, alguns deles até hoje encenados por diretores teatrais. Concluído o período do feudalismo, coube à Commedia Dell’Arte italiana a retomada da crítica social por meio de atores populares e textos anônimos. “Eles contribuíram para a reflexão crítica da sociedade”, ressaltou Theresa Catharina.

A denúncia social, prosseguiu a professora, aprofundou-se com autores como Molière, no século XVII, e sua ácida crítica aos costumes da época. Mais tarde, o escritor Victor Hugo alterou a linguagem literária ao estender o que Theresa classificou de um “olhar caridoso” à população pobre da França.

No Brasil, o Romantismo trazia à tona o tema da contribuição das populações indígenas à nacionalidade. “Foi um grande passo em termos de conscientização”, observou.

Jornal do Senado

Brasília, 29 de setembro de 2000.

HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO ABRE DEBATES DO MUSEU DO SENADO

A evolução histórica dos meios de comunicação, sob os aspectos ético e político, é o tema de abertura, às 15h 30 de hoje, do 1° Ciclo de Conferências do Museu do Senado. A palestra, a cargo da professora, jornalista e escritora Theresa Catharina de Góes Campos, será dada na sala 6 da Ala Senador Nilo Coelho.

Segundo Theresa Catharina, a “reflexão crítica” sobre os meios de comunicação abrangerá o período que vai da Pré-História aos dias atuais. O primeiro ponto a ser abordado será a pintura rupestre, imagens gravadas nas paredes de cavernas e paredões por homens primitivos. Em seguida, ela fará análise do analfabetismo na Antiguidade, na Idade Moderna e no mundo contemporâneo. Logo depois, a professora falará sobre as atividades jornalísticas como expressão pessoal e coletiva, inclusive de protesto, denúncia e reivindicação.

Além de abordar a importância do rádio, do cinema e da televisão como veículos de informação, registro e formação de valores, Theresa Catharina tratará também do desenvolvimento da oratória, teatro renascentista, grande imprensa, jornalismo marrom e imprensa alternativa.

Jornal do Senado

Brasília, 28 de setembro de 2000.

MUSEU DO SENADO REALIZA CICLO DE CONFERÊNCIAS

O 1° Ciclo de Conferências do Museu do Senado será aberto amanhã, às 15h 30, na sala 6 das comissões (Ala Senador Nilo Coelho). A primeira conferência estará a cargo da professora Theresa Catharina de Góes Campos, que falará sobre Ética e Política na Evolução Histórica das Comunicações. O objetivo é promover a reflexão crítica sobre os valores éticos e políticos no processo de evolução histórica nos meios de comunicação, desde a Pré-História aos dias atuais.

Jornal do Senado

Brasília, 27 de setembro de 2000.

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Obs. A TV Senado filmou a minha palestra, do início ao fim, tendo apresentado essa filmagem, por inteiro, inúmeras vezes, na programação da emissora.

Theresa Catharina

Brasília, 16 de março de 2006


5. Theresa Catharina entrevistada para documentário sobre Floriano Peixoto

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