Theresa Catharina de Góes Campos

  DANÇA COMIGO

A paixão pela coreografia da música é metáfora para a vida e os relacionamentos afetivos, sociais e profissionais. "Dança Comigo" (Shall we dance? - Japão, 1995 - 123' - de Masayuki Suo) tem como personagem principal um homem casado, pai de filha adolescente, com um bom emprego, casa própria...mas sem entusiasmo no dia-a-dia, um cansaço observado por sua esposa ( que o ama, preocupa-se com ele, entretanto, cumpre as suas obrigações de maneira tradicional). Ao se impressionar com a beleza de uma jovem e misteriosa professora, por quem se sente enamorado, o executivo melancólico resolve se matricular na academia de danças de salão onde ela ensina. Para ele, tal decisão é muito difícil, parece "pecado". Enfrenta, seduzido, um novo ambiente, deixando-se encantar por tangos, mambos, valsas e outros ritmos.

Grande sucesso de bilheteria do cinema japonês contemporâneo, esta comédia dramática aborda questões profundas com humor, leveza e emoção: a falta de comunicação na família e, sobretudo, no casamento; o trabalho em busca de conquistas materiais, negligenciando por completo a satisfação pessoal; o preconceito para com as manifestações artísticas ocidentais; a não-aceitação dos fracassos como uma etapa natural do processo de aprendizado e do viver em sociedade; a não-valorização do próximo; o desrespeito aos que se destacam por serem diferentes; o egoísmo, a opção pelo isolamento.

No prólogo do filme, para maior compreensão do público do Ocidente, há a informação de que, na cultura japonesa, os casais não se tocam em público, nem costumam dizer "eu te amo"...

Destaque para: a produção; direção; interpretação; o roteiro; a trilha sonora; e os temas retratados (além dos já citados, a amizade, a ética na família e no trabalho). (Ver também o filme australiano "Vem dançar comigo" de Baz Luhrmann e o norte-americano "No ritmo da dança", de Handa Raines.)

Theresa Catharina de Góes Campos
 

Jornalismo com ética e solidariedade.